Histórico

O sr Alfredo Tuvo Filho e a professora Josette Tuvo: a criação do Grande Hotel Santo Antônio em 04 de Janeiro de 1960, e da Estância Hidro Mineral de Caldas do Jorro-BA, em 04/12/1964.

A Fonte Hidromineral Termal de Caldas do Jorro foi descoberta por uma perfuração da Petrobrás em busca de petróleo. O serviço efetuado de prospecção pela empresa, naquela época, indiciou a possibilidade de haver um imenso lençol de petróleo, iniciando a perfuração em Julho de 1947. Em Janeiro de 1948 jorrou com uma imensa força uma água quente, com 48ºC. Um padre da região pediu aos chefes do serviço para não ser fechado o poço, para beneficiar os sertanejos que moravam próximos, sendo então liberado pela direção da empresa. O padre tinha um problema na pele de eczema, e em trinta dias ficou bom, banhando-se nas águas. Foi feita uma análise da água a pedido do seu médico, e maravilhosos foram os resultados, os quais podem ser vistos aqui no site.

Em 1949, o senhor Alfredo Tuvo Filho foi acometido com problemas de saúde, sendo que após serem efetuados os exames teria que ser feito uma cirurgia de urgência: apendicite, e em paralelo cálculo biliares, tendo sido feito uma cirurgia única. O urologista que o acompanhava sugeriu a vinda para Caldas do Jorro, para uma estação de 30 dias, para ajudar na recuperação (já começara a se tornar conhecida a água pela sua composição favorável para cálculos renais, com bicarbonatos de cálcio e magnésio, sendo diurética). Poderão encontrar também a composição da água da fonte, suas propriedades terapêuticas, e como funciona.

Foi indicado pelo médico que acompanhava a professora Josette Tuvo também a vinda para Caldas do Jorro, pois estavam ainda abalados pela perda de um filho com 06 meses de idade, e estava com um processo alérgico nas mãos. Em 1959 chegaram pela 1ª vez ao Jorro, se hospedando por 30 dias, no Hotel Senhor do Bonfim, do agradável casal D. Marocas e do senhor Domingos Cachoeira, conhecido por Domingão, dos quais fizeram logo amizade.

Com trinta dias ficaram eufóricos e radiantes, encantados com as águas e a tranquilidade do lugar! Eles estavam agora muito bem de saúde, e com uma deliciosa sensação de ter sido aberto um novo caminho. Procuraram ver a possibilidade de morar no Jorro, como é até hoje conhecido, surgindo com um local posto a venda. Então o casal senhor Alfredo Tuvo Filho e a professora Josette Tuvo vieram morar em Caldas do Jorro, vindos de Salvador. O senhor Alfredo Tuvo Filho vendeu propriedades em Salvador e fechou um acordo com o Banco em que trabalhava, já há muitos anos. Compraram então a propriedade, e após 02 meses de reforma foi inaugurado então o GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO, em 04 de Janeiro de 1960.

A professora Josette Tuvo, natural da cidade de Nazaré-BA (conhecida como Nazaré das farinhas), de origem humilde, conseguiu se formar obtendo uma bolsa escolar, por merecimento, tornando-se professora, funcionária da Secretaria de Educação do Estado, trabalhando a disposição da Assembleia Legislativa da Bahia como taquígrafa nas sessões dos parlamentares, conseguiu a transferência para atuar na região, como Inspetora de Ensino, posterior Supervisora de Ensino, pela sua excelente experiência e dedicação profissional. Também foi posteriormente diretora escolar. Foi homenageada e condecorada em praça pública, pela Secretaria de Educação, pelos serviços prestados a comunidade.

O senhor Alfredo Tuvo Filho, natural de Salvador, BA, era formado em Letras, ator, rádio ator e locutor, recebendo premiação 02 anos seguidos em 1958 e 1959 como o melhor ator da Bahia, por votação popular. Foi então homenageado pelo então prefeito Heitor Dias, em marcante solenidade, divulgada no Brasil inteiro, com sua brilhante atuação no filme REDENÇÃO, primeiro filme de longa metragem feito na Bahia, com uma extraordinária repercussão em revistas e jornais do país.

Trouxe o casal para a região um upgrade cultural e social. Através deles, O GRANDE HOTEL SANTO ANTONIO sempre foi marcante no desenvolvimento cultural e político (indiretamente) da cidade.

Como apaixonado pelo cinema, fundou o CINEMA DO GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO, que marcou uma época: Pela facilidade de contato, amigo do fundador da Distribuidora Iglu Filmes, Oscar Santana, passava no cinema do Grande Hotel Santo Antônio os lançamentos dos filmes também lançados em Salvador e demais capitais, como “Candelabro Italiano” (em que foi lançado a música “Dio como te amo” de Gigliola Cinquetti), “A Face Oculta”, “E o Vento Levou”, “Tarzan, o Magnífico”, entre outros.

O cinema do Grande Hotel Santo Antônio, amplo, confortável, com lentes cinemascope e telas apropriadas para filmes em cinemascope, tecnologia nova na época, fez sucesso: Na Semana Santa era uma verdadeira “romaria”, sendo exibido o filme “A Paixão de Jesus Cristo”, com sessões às 10 horas, 16 horas, 18 horas e 20 horas, com lotação completa de Quarta-Feira à Domingo, com filas imensas para ser conseguidas vagas. Isso na Semana Santa. Normalmente as sessões de filmes eram às 20 horas, e nos fins de semana às 16, e 20 horas.

O cinema do GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO usava como música “ancora”, 05 minutos antes de começar o filme e logo após o término do mesmo, a linda música “African Beat”, de Bert Kaempfert, com a família dos que assistiam sabendo que seus familiares estavam chegando, pois era tocada em um grande autofalante usado nas divulgações de eventos. Era ouvida a quilômetros da praça, em praticamente em toda a cidade (não existiam casas de 02 andares na época). As pessoas até hoje se emocionam ao ouvi-la, rememorando uma época.

Aos Sábados eram realizadas festas no Hotel, vindo as mais famosas bandas da região: Houve uma temporada de férias em que ficou uma orquestra durante toda a mesma por 02 meses, “A Alegria de Espanha”, com a orquestra hospedada no próprio Hotel, época memorável. As festas eram realizadas no agradável espaço “A Cabana”, onde eram realizados os eventos e o café da manhã, funcionando até hoje, tanto para o café da manhã do hotel, como para diversos eventos como casamentos, formaturas, aniversários e festas eventuais.

Como um ator apaixonado pela profissão, era feita uma representação teatral em todos os eventos religiosos e datas importantes nacionais, como Semana Santa, 07 de Setembro, Natal, entre outros, com o GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO financiando, o senhor Alfredo Tuvo Filho orientando e a professora Josette Tuvo executando, a frente de todos os eventos, com a organização, criatividade, inteligência e carisma de ambos.

O GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO, promovia então, com a professora Josette Tuvo à frente, e o senhor Alfredo Tuvo Filho patrocinando fantasias para a reapresentação de presépios ao vivo no Natal, Paixão de Cristo na Semana Santa, casamento na roça, “pau de sebo”, “queima do Judas com o testamento” (evento muito divertido e muito esperado), no São João (com a participação de professores e alunos das escolas públicas), e apresentação de quadrilhas (até hoje).

O fantástico desfile no dia 07 de Setembro, comemorando a Independência do Brasil era incrível, com pessoas vindas de diversas cidades vizinhas para ver, de cidades algumas vezes bem maiores que Caldas do Jorro, impressionadas pela beleza, organização e participação com empenho dos alunos e professores da cidade, sob a direção da supervisora professora Josette Tuvo, custeado pelo GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO. Diversas personalidades históricas participavam do desfile, caracterizados por alunos e professores: D. Pedro I; D. Pedro II; Soldados Imperiais; Tiradentes; Índios; Lampião e Maria Bonita; Santos Dumont; Joanna D’Arc, entre muitos e muitos outros.

O inesquecível São João e São Pedro da cidade! Toda a rua em frente ao Hotel com muitas barracas diversas, de ponta a ponta da rua, em que eram oferecidos pratos típicos da época em cada, umas com mingaus, outras com bolos, canjicas, milhos verdes cozidos e assados na brasa, licores diversos, maçãs do amor, “sortes”, “beijinhos”, entre outros. Grupos com sanfoneiros, triângulos e “recos-recos”, apresentação de quadrilhas, etc. E claro, a saudosa e imensa fogueira! Hoje o GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO oferece um São João gastronômico aos seus hóspedes, com iguarias deliciosas típicas da época, licores, etc. Vejam o site.

Ao chegarem à Caldas do Jorro, não havia energia elétrica, sendo adquirido pelo GRANDE HOTEL SANTO ANTONIO um potente motor e gerador, fornecendo energia elétrica em toda a Praça Ana Oliveira, praça principal da Fonte de Saúde, defronte ao hotel, e no início da rua da Igreja Católica, de Domingo a Sexta do final da tarde até às 22 horas, e nos Sábados até mais tarde, às vezes até meia noite se houvesse eventos. Foram totalmente custeados pelo Hotel, sem uma ajuda de custo sequer de um litro de óleo pela prefeitura, ou outrem.

Havia no Hotel um serviço informativo com autofalantes potentes, divulgando eventos da cidade, palestras e cursos (o senhor Alfredo Tuvo Filho era o locutor, foi locutor em emissoras de rádios importantes de Salvador). Eram ministrados sempre palestras na área de educação e saúde, com a vinda e estadia todas patrocinadas pelo Grande Hotel Santo Antônio. Na cidade eram promovidas corridas em atletismo, com desportistas vindos de diversas localidades, corrida de cavalos, corridas de jegue e diversos eventos culturais, como “bandas de pífanos”, “bumba meu boi”, sempre com o GRANDE HOTEL SANTO ANTONIO divulgando e patrocinando a vinda de eventos culturais, desportistas, e premiações.

Ao chegarem à Caldas do Jorro ficaram impressionados com a simplicidade do povo, alegre e receptivo, que desconheciam sequer nossa história (do Brasil e da Bahia), com muitos sequer tendo conhecido Salvador, a capital do Estado da Bahia. Resolveram então trazer conhecimentos para a cidade, no que fosse possível. Foi um impacto cultural pós-fundação do GRANDE HOTEL SANTO ANTÔNIO.

Ouvi um fato curioso: A professora Josette Tuvo colocou ter tido um susto, quando ao chegar ao Jorro ouvir uma senhora exclamar: “Viiiiiiixe, aquela mulé está de calça, igual a um home!”. Este fato registra uma singularidade da cultura e costumes local! O local não recebia jornais, não havia sinal para TV, com uma imensa parcela da população local sem sequer conhecer o mar, muitos não indo além da cidade de Feira de Santana. Os ônibus que saiam de Salvador as 05:10 da manhã (pela empresa Real Nordeste, que naquela época fazia a linha Salvador x Euclides da Cunha) só chegavam ao Jorro no final da tarde, rodando de Feira de Santana para Caldas do Jorro em uma precária estrada na terra “crua”.

Sentiram que seria necessário algo ser feito em prol da comunidade!

Como profissional exigente e organizada, modificou profundamente o ensino na região, pois era Supervisora Regional de Ensino, com supervisão das escolas dos municípios de Tucano, Ribeira do Pombal e Cipó. Fez logo amizade com a professora Dina Prado, a qual se tornou uma das suas maiores amigas, também dedicada Supervisora de Ensino na região, atuando em Euclides da Cunha, Quijingue e região. Ia com imensa dedicação e amor pelas escolas, de uma a uma, distribuindo organização, conhecimento, orientando e trazendo qualidade ao ensino. Acompanhei diversas vezes suas idas aos povoados do município e referidas cidades. Em Tucano, o padre José Gumercindo, grande educador, realizou também um trabalho formidável. Ficaram muito amigos, tendo nascidos na mesma data, 15 de Agosto.

Impressionados com o potencial de Caldas do Jorro, sonhavam em conseguir transformá-la em Estância Hidromineral Termal, título altamente benéfico, para inclusive aquisição de verbas e divulgação. Foi conseguido logo em 1964, tendo sido criada a Estancia Hidromineral Termal de Caldas do Jorro.

A deputada Ana Oliveira, muito amiga do casal desde a época do trabalho na Assembleia Legislativa, e também encantada pela cidade, perguntou a eles o que gostariam de receber de presente no dia do aniversário de casamento: Em coro responderam, sem terem combinados, pois não esperavam um pedido deste: “A criação da Estância Hidromineral de Caldas do Jorro!”. Colocaram que haviam conversado muito sobre o desejo da criação da Estancia, antes da conversa com a deputada Ana Oliveira (para mim, minha querida Tia Nanú), pois poderia abrir as portas para novos caminhos, inclusive para divulgação e recursos. “Nanú aceitou o desafio, e foram 02 meses correndo de um canto para o outro, às vezes sem termos tempo de almoçar, pois visitamos todos os 60 deputados”, contou-me. Devemos isso a eles, ao senhor Alfredo Tuvo Filho, a professora Josette Tuvo e a deputada Ana Oliveira!

Na véspera do aniversário de casamento foi sancionada a lei, em 04 de Dezembro de 1984, com a aprovação por unanimidade dos 60 deputados, e a assinatura do então governador Lomanto Júnior. Realmente um verdadeiro presente de aniversário, com a comemoração dupla, da cidade, e do aniversário de casamento. Os dias 04 e 05 de Dezembro são muito importantes para mim! A proximidade deles mexe comigo!

Sempre participavam indiretamente na política, interagindo com os políticos da região, procurando ampliar suas visões, com o objetivo do crescimento de Caldas do Jorro, mesmo que não concordasse com algumas atitudes de alguns, sempre colocando a frente o beneficiamento da cidade. Gostavam tanto de Caldas do Jorro que chegaram ao ponto de doarem uma área, para criação da Administração da Estância (sendo na época feito um açougue pela prefeitura) só sendo recentemente transferida a Administração.

Ouço constantemente a população de Caldas do Jorro e turistas falarem sobre o descaso dos políticos com a obra deles, para com a grande contribuição cultural e social e para o desenvolvimento da Estancia Hidromineral de Caldas do Jorro! É reconfortante ouvir dos educadores, eis alunos, profissionais liberais, comerciantes, frequentadores e turistas de Caldas do Jorro, boas referências a eles e ao trabalho realizado. Portanto, faz-me exibir o meu sobrenome Tuvo com muito prazer e satisfação.

Agradeço em nome de Alfredo Tuvo Filho e Josette Tuvo. Eles vivem através de nossas lembranças! Não existe um espaço importante, nada a altura da importância do trabalho realizado por eles, que fique para a posteridade, para as próximas gerações rememorarem o grande legado deixado para Caldas do Jorro e para o município!

Com tristeza em relação a isso, com o coração cheio de amor e ternura por eles, emocionado, agradeço a Deus por terem sido meus pais, pelo imenso amor e carinho que me deram, e pelas muitas e boas lembranças que deixaram em mim. Ensinaram-me a viver com alegria e deixaram também um legado ético, moral, espiritual, e ensinamentos para a vida, que procuro passar para a família e para todos. Eu sempre serei agradecido. Para eles o meu muito obrigado,

Alfredo Tuvo Neto